Criando condições para a realização da Verdade (homem-Deus parte 5, final)

Quando digo que hoje talvez estejamos mais próximos da verdade, quero dizer que a verdade do que fazemos hoje é mais verdadeira daquela que foi feita há 300 anos? Responder que sim é cometer um erro do ponto de vista filosófico. A verdade mais verdadeira que outra só pode ser vista de duas formas: 1) em relação à Verdade Absoluta, desconhecida e inalcançável; 2) a uma construção humana de todos os tempos e sociedades. Assim, não faz sentido dizer que hoje estamos mais próximos da verdade, mas mais experientes, talvez, e nisto possivelmente consigamos ter maior leque de modelos reflexivos sobre situações já vivenciadas. Um exemplo da aplicação desta consequência é que, por exemplo, cada vez que se tem um acidente na aviação comercial, revisam-se os motivos deste acidente, e diminuem-se as probabilidades que uma situação semelhante aconteça em uma próxima vez, dada é claro, a correta precaução. Logo, a precaução e a leitura reflexiva do passado são desejáveis a qualquer aspirante a sábio, para que evite-se faltar com a verdade no presente.

Como é possível criar condições para suscitar o aparecimento da Verdade em cada indivíduo? Podemos pensar em algumas situações: 1) a crise com mediação dialética; 2) a contemplação meditativa do Belo. Assim, um critério muito importante para que o indivíduo tenha recebido de fato a verdade é dizer que ele a assentiu, mesmo em um sentido cataléptico estóico.

Na Grande Arte isto se traduz com a transformação da linguagem, a ressignificação da Verdade e a modificação da realidade de tal forma que seja possível refletir sobre o passado, presente e futuro após sua existência. Assim, novamente, é possível dizer mais uma vez que a arte tem cunho fortemente libertador. Após sua existência, há possivelmente "crise" (separação, cisão - não em sentido apenas revolucionário, mas sim em conotação auto-avaliativa), ao mesmo tempo que pode ser contemplada - possivelmente pela transformação que realiza no ideal de quem a sente. Em essência, este Ideal deveria estar imbuído em qualquer outra atividade humana. Distanciar-se disso torna supérfluo aquele que o faz e aquele que o recebe.

É preciso colocar um parêntesis final que com tudo isso que proponho, com este website, que não quero estar certo de que minha verdade seja a verdadeira, mas criar um espaço de discussão em que poderemos ganhar, leitor e eu, uma construção crítica de um Ideal maior.

Comments