Conceitualização do homem-Deus e implicações (parte 1)

*Um post sobre a necessidade existência deste site será colocado em breve".

"Onde há igualdade, há sanidade" (George Orwell, Nineteen Eighty-Four). A solidão por si só, a liberdade total e a verdade absoluta em si mesma (como alcançada pelo indivíduo por si próprio), levam o homem a insanidade e o distanciam do seu objetivo único primário universal: Deus.

É preciso explicar conceitualmente o que eu entendo por "Deus" antes que se possa entender a última afirmação. Assim, naturalmente a um ateu não será frustrante lê-la e rapidamente desejar refutá-la. Veja que "Deus" como proponho colocar é o artífice da representação da sublimação humana.

Aquilo que é representado pelo bem, pela felicidade, pela máxima exortação das virtudes e extinção dos vícios. Ainda que na história da filosofia tenham existido aqueles que defendessem o prazer e a animalidade do homem, estes recaíam sempre em uma pobreza de espírito que falhava por não satisfazer de forma pragmática as demandas de seu mundo. Não é necessária muita argumentação para se demonstrar que o prazer por si e o vício conduzem a uma vida de infelicidade e privação das coisas mais benfazejas.

Peço ao leitor para que repare que por Deus, neste caso, não me refiro a uma entidade divina em si, mas em sua representação de ideal, principalmente transfigurado a aquilo que pode ser perseguido de forma humana. Assim quando escrevo em "ser Deus", abaixo, me refiro a atividade de aproximar-se deste ideal enquanto algo possível como ser humano. Não muitas vezes por um conjunto de atributos, mas por algum deles que eventualmente se destaque e faça do indivíduo alguém hábil entre seus semelhantes. Assim, uma versão idealizada de Deus para um ser humano pode contemplar atributos diferentes de outros, incluindo de perversidade e maldade. Ainda assim, a grandiosidade infinita de Deus que distancia de seu sucesso como humano é elemento motivador para que qualquer homem queira galgar mais um degrau de sua escada de ascensão e chegar mais perto deste ideal. Portanto, é muito importante frisar que esta visão não corresponde a uma visão teológica tradicionalista, mas sim idealista. O ideal que o homem busca na sua tentativa de equiparar-se a infinita grandiosidade de Deus, alcançando-o somente na visão que seus semelhantes compartilham. Assim, o homem-Deus realiza-se tão somente na 1) mente do homem e 2) na representatividade que estabelece na humanidade, principalmente como precursor da transformação da Verdade.*

Proponho aqui a retomada de dois Padres da Igreja para a elucubração inicial desta proposição, Teófilo de Antioquia e Gregório de Nissa. O primeiro, propôs: "diz-me que homem és e te direi se e que Deus podes ver". O segundo reformulou este aforismo, dizendo: "A medida pela qual podeis conhecer a Deus está em vós mesmos." Amanhã retomarei este tópico e continuarei desta indagação.

* Um capítulo especialmente dedicado a isso será escrito posteriormente.

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